A participação do INPI na 3ª Conferência Global INTAN-Invest em Roma, nos dias 7 e 8 de maio de 2026, coloca o Brasil em um palco onde a nova moeda de troca do poder global é discutida: os investimentos intangíveis . Software, P&D, marcas, capital organizacional – esses ativos, invisíveis aos olhos desatentos, já respondem por quase metade de todo o investimento na economia brasileira e contribuem com 8,5% do nosso PIB, superando setores tradicionais como agropecuária e indústria extrativa mineral .
Mas, para além da presença diplomática, o que essa participação realmente significa para a soberania e o desenvolvimento do Brasil? Estamos indo para Roma para ditar tendências, para aprender a jogar o jogo da inovação global em pé de igualdade, ou apenas para assimilar regras e métricas impostas por economias mais maduras?
O que está em jogo socioculturalmente?
1.A Invisibilidade do Nosso Ouro: O relatório da OMPI e o suplemento Brasil elaborado pelo INPI revelam um problema estrutural alarmante: entre 65% e 70% dos nossos investimentos intangíveis não aparecem nas estatísticas oficiais . Isso não é um mero detalhe contábil; é uma distorção que cega o diagnóstico, impede a formulação de políticas públicas eficazes e, em última instância, nos impede de reconhecer e proteger o valor real da nossa própria inteligência e criatividade.
2.A Corrida pela Liderança: A conferência em Roma é um termômetro da corrida global pela liderança na economia do conhecimento. Enquanto o Brasil se esforça para preencher lacunas de dados, outros países já utilizam essas métricas para direcionar investimentos, proteger suas inovações e garantir sua competitividade. A ausência de dados precisos sobre nossos intangíveis nos coloca em desvantagem estratégica, tornando-nos mais vulneráveis à apropriação indevida de nosso conhecimento e à dependência tecnológica.
3.Políticas Públicas e Soberania: A discussão sobre investimentos intangíveis é, no fundo, uma discussão sobre soberania. Um país que não compreende o valor de seus ativos intelectuais corre o risco de ter seu futuro econômico e social ditado por outros. A participação do INPI em eventos como este é crucial, mas a verdadeira mudança virá quando o reconhecimento do valor dos intangíveis permear todas as esferas do governo e da sociedade, transformando dados em ações concretas que protejam e impulsionem a inovação brasileira.
O Brasil tem um potencial imenso em ativos intangíveis. A questão é: estamos prontos para transformar esse potencial em poder real, ou continuaremos a subestimar o valor do que criamos, permitindo que outros o façam por nós?
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